Lembram que comentei aqui que estava com um probleminha de saúde e depois voltava contar? O texto é grande:
Primeiro alguns dados de artigos que li e programas de TV que assisti:
1- Em cada ciclo a mulher tem cerca de 25% de chances de engravidar
2- De 12 ciclos anuais, em apenas 3 temos reais chances de engravidar
3- De cada 100 mulheres que descobrem a gravidez, 20 tem interrupção naturalnas primeiras semanas (AE - aborto espontâneo), por má-formação do embrião ou dos anexos embrionários.
Tendo conhecimento dos dados 1 e 2, quando eu e meu marido decidimos ter um filho, combinamos de não ficarmos ansiosos: eu simplesmente deixei de usar o AC (anticoncepcional) e esperaríamos, sem cobranças, sem controle de PF (período fértil), sem grandes expectativas. Afinal, podia demorar.
Eu não esperava que seria tão rápido. Após eu deixar o AC, ainda usamos outros contraceptivos por 3 meses, pra que o meu organismo se acostumasse sem o hormônio sintético, e passasse a produzi-lo normalmente. E no mês seguinte: positivo.
Acontece que não deu tempo nem pra cair a ficha: no mesmo dia que peguei a confirmação do Beta HCG (exame de sangue), tive uma ameaça de aborto (dia 17/10). Um sangramentozinho pequeno. O médico da emergência obstétrica me falou o seguinte: “Não vou nem te dar esperanças, provavelmente sua gravidez não vai evoluir”. Simples assim. Nesse momento lembrei do dado 3. Nada de desespero.
Repeti o Beta com 7 dias e levei no meu GO (ginecologista-obstetra), que me acompanha a 4 anos. Ele disse que os valores estavam normais pro início da 3ª semana, mas que ficaríamos em expectativa nos próximos 7 dias: O organismo da mulher faz uma “seleção natural”, e não importa o que a mulher faça ou deixe de fazer, se houver algum problema no embrião, o organismo o eliminaria. Caso eu tivesse um sangramento com maior intensidade e vermelho vivo, era porque o aborto se confirmara: eu deveria ir ao hospital tomar a vacina Anti-Rh (meu sangue é negativo e do meu esposo é positivo)
Bem, como vou explicar o que senti nesses 14 dias? Nem alegria, nem tristeza, nem medo, apenas expectativa. Me preparei psicologicamente e entregamos nas mãos de Deus: que a vontade dele fosse cumprida em nossas vidas. Nem contamos a ninguém.
E dia 30/10 (domingo) a tarde, a confirmação: Sangramento vermelho vivo e intenso. O Fê estava trabalhando, liguei e avisei: “Amor, não foi dessa vez... Qd vc chegar me leva no hospital?” Nó na garganta. Quando ele chegou e olhei pro rosto dele não agüentei e chorei. Precisava me livrar da angustia. Tomei um banho, me acalmei, e vamos lá.
No hospital, a médica disse que meu colo do útero estava fechado. Não dava pra confirmar o AE. Faz ultrassom: nada no útero (cedo ainda, apenas 4 semanas), líquido nas trompas e um cisto no ovário direito. A médica me deixou em observação aquela noite: estava desconfiada de gravidez ectópica, achou que o embrião podia estar no ovário. Aí sim, me desesperei: Deitadinha na minha cama chorei. Muito. Orei. Muito. Aceitava a perca do embriãozinho, mas não a necessidade de uma intervenção cirúrgica, eu poderia perder o ovário. Parece egoísmo, mas se o embriãozinho não estava no útero teríamos que interromper a gravidez de qualquer jeito. Ou seja, tirá-lo mesmo. Seria pior, muito mais traumático.
Segunda de manhã, resultado do beta: o valor diminuiu. Aborto confirmado. Dor e Alívio. 6 dias de atestado médico.
Estou ótima. A hemorragia e as cólicas finalmente estão no fim. Sei que o que aconteceu foi o melhor pra nós. E a vida continua.
Mas Outubro, definitivamente, é um mês que desejo esquecer.
Aproveito pra deixar registrado aqui: Felipe, você é um homem maravilhoso. Sempre me senti segura ao seu lado. Mas você me deu forças pra enfrentar tudo de cabeça erguida, me deu todo o apoio e amor que precisei nestes dias de expectativa e recuperação. Ficou lá, firme e forte ao meu lado em uma das piores noites da minha vida. Você me lembrou que Deus está no controle. Amo você, cada dia mais.